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23 Abril 2026

O Futuro da Filigrana: Visita Institucional da Alma do Fio e da A.Certifica à Arneiro 1969

O Futuro da Filigrana: Visita Institucional da Alma do Fio e da A.Certifica à Arneiro 1969
O Futuro da Filigrana: Visita Institucional da Alma do Fio e da A.Certifica à Arneiro 1969

Há joias que se usam. E há joias que se herdam, se guardam em caixas de veludo e se voltam a tirar em dias que contam. O Coração de Viana é dessas.

É provavelmente a peça portuguesa mais reconhecível do mundo: está nos trajes das romarias, nos peitos das noivas, nas fotografias antigas de família e, cada vez mais, no dia a dia de quem quer trazer consigo um pedaço da nossa identidade. Mas por trás da forma que todos reconhecemos há uma história técnica, simbólica e geográfica que quase ninguém conhece na íntegra.

Um símbolo sagrado que também é profano

O coração flamejante tem séculos de tradição. Simboliza o calor da fé, a caridade e o amor ao próximo:, mas é, em simultâneo, um símbolo profano: o amor ardente (ou em chamas), o afeto puro e a fertilidade.

Essa dupla leitura explica muito da sua força. Órgão vital do corpo e sede da alma, o coração conquistou um lugar único no peito da mulher portuguesa. Foram as lavradeiras minhotas e do Douro Litoral que privilegiaram os corações de filigrana, duplos ou de uma só face, maioritariamente feitos nas oficinas de Gondomar e da Póvoa de Lanhoso.


Anatomia de um coração de filigrana

Olhado de perto, o Coração de Viana não é uma forma única: são três elementos que se leem de cima para baixo.

A coroa flamejante. O topo estiliza a chama: da fé, do amor ardente ou da intensidade do afeto, em geral.

A flor central. O elemento de charneira, que une o órgão às chamas em filigrana.

O coração (a base). Distingue-se pela curvatura assimétrica e pela perfeição do rendilhado em filigrana.

É esta última parte que separa uma boa peça de uma peça extraordinária. A palavra filigrana une dois termos latinos: filum (fio) e granum (grão) — e descreve uma arte milenar de paciência e precisão: dois finíssimos fios de metal precioso são torcidos, deformados sobre uma estrutura e soldados, criando rendas metálicas de beleza ímpar.


O mito geográfico: a maioria das joias ditas "de Viana" nunca foi produzida em Viana

Este é o dado que costuma surpreender quem entra na loja.

Apesar de o nome de algumas destas peças estar indissociavelmente ligado ao distrito de Viana do Castelo, a esmagadora maioria nunca foi executada no Minho. Historicamente, a produção concentrava-se nas oficinas de Braga, Póvoa de Lanhoso, Porto e Gondomar, sendo depois vendida para o Minho, onde as mulheres locais a adotaram como o elemento mais nobre do seu traje tradicional.

Foi o Alto Minho que valorizou estas peças, comprando-as e exibindo-as nas romarias. Uma região fez; a outra deu-lhes sentido. E a estrada entre as duas fez-se ao ombro dos vendedores ambulantes: foi assim que o ouro do Norte chegou às várias regiões do país, incluindo Sintra.


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